Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Podem entrar, mas já têm falta...

Tivemos mais uma interpelação ao Governo. Respondeu (…) a Ministra da Educação.

A Oposição em bloco bombardeou a ME com questões que foram da avaliação dos Professores ao Ensino Especial e ao Artístico, da gestão e da autonomia aos problemas do Ensino Superior.

Interessa muito pouco que a Ministra não tenha respondido a nenhuma das questões colocadas. Com o seu ar delico-incomodada por estar ali, limitou-se a debitar uma cassette gasta, mas que até nem reflecte a realidade: mais alunos nas escolas, alunos a passarem mais tempo nas escolas, mais sucesso (entenda-se mais aprovações). Nem o ponto/muleta do Ministro dos Assuntos Parlamentares a tornou mais convincente.

Foram precisos dois anos e meio de luta e a maior manifestação de sempre dos Professores para vir a Oposição, em tempo de pré-campanha, defender a classe. Foi o ECD, foi a avaliação imposta, foi a imposição da gestão anti-democrática e o simulacro de autonomia escolar. Tudo passou ao largo da Assembleia da República.

Agora, receio que seja tarde. Como dizíamos aos alunos que chegavam sistematicamente atrasados: "Podem entrar, mas já têm falta..."

Com a sua estratégia habitual, o ME humilhou os professores, tratou-os todos abaixo de cão, virou a opinião pública contra a classe que na sua esmagadora maioria é honesta e competente (é o que diz a ME nos seus momentos de lucidez… ou de demagogia). A tensão aumentou. Quando já não era mais possível conter-se, 100 mil saíram à rua a protestar, vindos de todos os locais e regiões do país, de todos os quadrantes políticos, enquadrados ou não por sindicatos e outras organizações, independentes de qualquer estrutura, de livre vontade. Houve um palhaço que nos chamou “hoolligans”. A própria ministra disse que o número (100 mil!!!) era irrelevante. A política não se fazia na rua. Que se saiba, o 25 de Abril não se fez de forma palaciana. Quando o Povo não tem mais onde se manifestar, só lhe resta a rua. Assim foi com João das Regras, com Maria da Fonte, com o 5 de Outubro de 1910.

Os efeitos não serão imediatos. Vai levar algum tempo até os encarregados de educação e a opinião pública em geral, aperceber-se, que, o Ministério da Educação, ao atacar os professores, sujeitando-os a directivas, que no mínimo são profissionalmente humilhantes, estão a lesar os seus próprios educandos. É muito bonito dizer que agora há mais gente nas escolas e que aumentou o sucesso escolar, mas não dizem é à custa de quê. Quando verificarem que os alunos que agora transitam (todos os professores sabem como…) têm uma “certificação”, mas que não corresponde necessariamente a uma “qualificação”, em comparação com os seus colegas europeus, nessa altura, voltar-se-ão novamente contra os Professores, que são umas bestas que não os ensinaram. Nessa altura, ninguém mais se vai lembrar da “Milu” nem do “Bobby”, nem do “Tareco”, muito menos do “Mãozinhas de Veludo”. Nessa altura, os que nos atacam neste momento, talvez se interroguem se nem tudo seria como foi apresentado, mas o mal já foi feito.


publicado por rodamarante às 12:33
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