Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Tempos difíceis


Isto já não vai, nem com ovos, nem com tomates. A reunião da ministra com a FENPROF hoje, para discutir alterações ao regime dos concursos, durou pouco mais de cinco minutos, com a saída dos dirigentes sindicais, dada a inflexibilidade da senhora. Da reunião de amanhã, também já pouco haverá a esperar. Aliás a FENPROF, através de Mário Nogueira, já avisou que repetirão o abandono se a ministra não suspender esta avaliação. É por isso que já há muito quem defenda outras formas de luta mais gravosas. Não será porventura uma greve às avaliações, porque não tem sentido. Finda a greve, as avaliações terão de ser lançadas, mais dia, menos dia. O pior disto tudo são as consequências dentro do funcionamento das escolas. Um ou dois dias de greve pouca mossa farão aos alunos. Mas a continuação deste clima de contestação, por muito que os professores não queiram, vai ter inevitavelmente repercussões negativas no aproveitamento dos alunos, até porque os professores são humanos, têm limites físico e psicológicos e, como a situação se encontra, não conseguirão dedicar-se a 100% às suas funções, que são ensinar.

 


publicado por rodamarante às 22:55
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Última Hora!

"A FENPROF foi convidada para participar numa reunião com a Ministra da Educação que se realizará amanhã, dia 19 de Novembro, pelas 9.30 horas.
Nesta reunião, que se prevê seja para abordar a actual situação que se vive na Educação, a FENPROF assumirá a posição que os professores aprovaram na Manifestação de 8 de Novembro e que passa por considerar, como pressuposto para o desbloqueamento da actual situação de profundo conflito, a suspensão do actual modelo de avaliação e o início de negociações com vista à aprovação de um novo modelo, no quadro de uma revisão positiva do Estatuto da Carreira Docente."
(in site da FENPROF, hoje)

 

Isto bateu no fundo. Penso que as próximas horas vão ser cruciais. Aguardemos serenamente.

 

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publicado por rodamarante às 16:10
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

O Milagre dos Alunos

No fim-de-semana fomos brindados com mais uma revelação celestial do olimpo educacional: afinal a nossa deusa ministra não é insensível às manifestações de rua dos reles mortais.

Por despacho a entrar já em vigor hoje, os alunos que faltarem por doença, não têm de se sujeitar a um exame para não perderem o ano. Mas para não se habituarem mal às benesses, que isto de bênçãos e bulas nada é gratuito, têm de fazer um teste para o(s) professor(es) ajuizar(em) das suas reais necessidades face a eventuais acções de recuperação.

Diz a senhora que o despacho é para "clarificar" as ideias, já que as escolas é que interpretaram mal (como é habitual) aquilo que foi legislado. Mas para não parecer mal, teve a suprema condescendência de referir que foram algumas escolas... quando um país inteiro, de norte a sul, já começava a entrar em estado de sítio estudantil. Conseguiram os alunos com ovos, tomates e outros comestíveis o milagre que 120 mil professores não conseguiram em manifestações civilizadas. Daqui se infere que, nada como umas claras de ovo (mais as gemas, as cascas e alguns tomates de permeio) para clarificar rapidamente as ideias.

Agora, o problema dos alunos é o excedente de ovos e tomates que têm em stock. E os hipers que até já tinham feito encomendas a contar com o aumento da procura.

Consta para aí que professores têm sido contactados no sentido de adquirirem os referidos produtos a preço de promoção (para os doces de Natal, evidentemente...).


publicado por rodamarante às 12:36
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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Assim mesmo, Companheiros!

(foto gentilmente cedida pelo Colega Prof. João Alfaro)

Passo a passo,mais uma etapa foi cumprida.

Foram muitos os que, mais uma vez, foram a Lisboa manifestar o seu desagrado face à política educativa deste governo.

Não eram guerrilheiros. Nem chantagistas. Nem radicais.

Apenas PROFESSORES.


publicado por rodamarante às 17:02
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Sábado, 15 de Novembro de 2008

Força Companheiros!

Hoje, por imperativos de ordem pessoal, não estarei fisicamente presente.

A TODOS os COLEGAS que vão participar na Manif de Protesto, MUITO OBRIGADO. Lutam também pelos que não estão presentes. Boa Viagem. Que tudo vos (nos) corra bem.

Vamos arrasá-los!


publicado por rodamarante às 09:55
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Pedido de desculpas

"... Maria de Lurdes Rodrigues declarou no Parlamento que não pretende ceder relativamente à avaliação, mas pediu desculpa aos docentes pela desmotivação instalada..." (in www.sapo.pt, 13 de Novembro de 2008)


Pedido de desculpas não aceite.


publicado por rodamarante às 12:39
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Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Quem semeia ventos...

Segundo os media, a Ministra da Educação foi enxovalhada com uma chuva de ovos à chegada a Fafe para uma cerimónia (mais uma...) de entrega de diplomas do Programa Novas Oportunidades. Esperava-a uma manifestação de estudantes que protestavam contra o regime de faltas do Estatuto do Aluno. A ministra nem chegou a sair do automóvel que a transportava, face ao ambiente criado, com intervenções da GNR de permeio.

Como Professor, nunca poderia estar de acordo com a actuação dos estudantes, mas quem semeia ventos, acaba sempre por colher tempestades. A política educativa deste governo, eivada de facilitismo para os discentes, mas de permanente confrontação com os Professores face à opinião pública, a que os Alunos não são indiferentes, tinha de conduzir a este tipo de atitude. Não é impunemente que se menospreza, desrespeita e humilha o papel do Professor.

Agora, só falta ouvir a ministra e os seus apaniguados acusarem os Professores de estarem por detrás da manifestação. Aliás, o mote já foi lançado por João Soares: "... o clima de contestação generalizada dos professores empurrou os alunos para..." (in Programa Frente a Frente da SIC, hoje, 11 de Novembro de 2008).

Entretanto, dizem-me que os videos amadores colocados no Youtube sobre a "chuva de ovos" têm sido sistematicamente retirados. Não pude confirmar. Nem quero pensar que pode ser verdade.


publicado por rodamarante às 23:48
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"... Fora a Milu, fora, PIM..."

Poucas vezes coloco aqui um texto integral que não escrevi. É, para mim, um privilégio poder fazê-lo hoje, com a devida autorização da sua autora.

 

OS SETE PECADOS MORTAIS DA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

Chegados ao clímax de incompatibilidade entre a Ministra da Educação e os professores, por óbvia culpa da primeira, urge equacionar o que nos parecem ser as razões desta cisão irreversível. Abordamo-las de uma forma tipificada que resulta da contínua e persistente tendência pecaminosa de Maria de Lurdes Rodrigues no que respeita à sua política de Educação. Enunciamos assim aqueles que têm sido os seus recorrentes pecados, embora dificilmente condensáveis em apenas sete:

A Pesporrência: no discurso com que se arma quando fala dos professores, como se de seres menores se tratasse, quer do ponto de vista intelectual, quer do ponto de vista profissional. Não se trata uma das classes profissionais mais qualificadas deste país da forma soez como o tem feito, ainda mais se pensarmos que dela depende o futuro deste país. No entanto, apoda-os de desleixados sugadores do Orçamento de Estado e dos preciosos impostos dos Portugueses. Assaca-lhes inteira responsabilidade do estado deplorável a que chegou o ensino nacional.

A Iluminação: considera-se a iluminada, qual “cavaleira do futuro”, nas palavras de Antero; aquela que vê para além do seu tempo, uma incompreendida, como tantos génios o foram no passado, mas a quem o futuro dará total razão. Esquece-se de dizer que no futuro, quando o resultado das suas políticas de facilitismo e de prémio pela incompetência vier à tona, já estará asilada numa qualquer instituição financeira ou estatal ao abrigo de críticas e imputações de responsabilidade.

A Presunção: presume na teoria que é superior àquilo que milhares de professores experimentam na prática diariamente. Se a avaliação é burocrática, os professores não sabem o que estão a fazer; se é infrutífera e não serve para premiar a excelência e a qualidade dos docentes, então as escolas ainda não perceberam o que devem fazer; se é kafquiana e inexequível, os professores desconhecem; se os professores estão contra este modelo de avaliação, é porque não querem ser avaliados de modo algum. Pobres docentes, não sabem, não percebem, desconhecem. Obviamente, já todo o país percebeu quem ignora e quem está completamente isolada, a falar para o seu umbigo.

A Estatísticolatria: nunca como neste governo a política educativa obedeceu a um, e a só um objectivo: apresentar sucesso estatístico. Para isso, recorre-se às medidas mais inusitadas com laivos de maquiavelismo de que há memória nos últimos tempos: fazem-se exames de Matemática ridiculamente fáceis; despenalizam-se os erros ortográficos nas provas de Língua Portuguesa do 9º Ano; e, sobretudo, congemina-se um modelo de avaliação que incorpora uma forma velada de burla aos docentes: elevem as notas dos alunos e nós dar-vos-emos mais uns euros ao final do mês. E assim se dá a ideia de que o ónus do sucesso dos alunos cabe inteiramente ao professor, de que os alunos são todos iguais, de que o grau de dificuldade das matérias nos diversos anos de escolaridade é imutável. Tudo isto ao serviço da estatística, nunca da qualidade das aprendizagens, porque o que interessa é o cumprimento cego das metas da O.C.D.E. para gáudio dos nossos governantes.

A Ignorância: demonstrou nas suas palavras após a manifestação de 8 de Novembro que desconhece a mais basilar cultura democrática ao apodar aquele gigantesco movimento de indignação docente como uma intimidação. Não era esse certamente o propósito dos professores para com a Sra Ministra, mas estes inquestionavelmente não se sentirão intimidados pelo tom salazarento do seu discurso. Desconhece assim que a manifestações de rua são normais e merecedoras de respeito em qualquer democracia sólida e em pelo funcionamento.

A Misantropia: a Srª Ministra desconhece o que é uma escola. Poucas visita, e quando o faz é durante o tempo de aulas, fora dos intervalos, para não ser importunada por um qualquer docente que a venha confrontar com a realidade. Pensa que avaliar uma escola é o mesmo que avaliar uma empresa, como se nas escolas se produzissem carros ou presuntos. Cada vez mais isolada, disfarça com um sorrido trémulo mas algo cínico, um discurso que em tudo nos recorda, a figura patética do ministro iraquiano da informação que quando tudo estava irremediavelmente perdido, ainda se iludia com a vitória.

A Inverdade: compulsivamente, falta à verdade num discurso demagógico, populista, sempre evocando o superior interesse do Estado. Não é verdade que a avaliação docente seja apenas a produção de duas folhas que se fazem em duas míseras horas; começa sim pela produção de duas folhas, mas que resultam de
horas e horas de aturada preparação, de leitura e consulta de legislação e documentos internos de infindáveis e estéreis reuniões e de uma profunda reflexão prévia; não é verdade que os avaliadores sejam os mais capazes de avaliar os restantes professores, quando nunca foram sujeitos a este modelo de avaliação, quando muitos nem são da área científica dos avaliados ou só porque a idade é sinónimo de sabedoria. Falta à verdade, conscientemente, quando diz com alarde que os professores não querem ser avaliados, quando o que eles não querem é este modelo de avaliação; falta à verdade quando diz que este modelo promove a qualidade e a excelência, por isso foi decalcado de um país modelar ao nível de sistema de ensino: o Chile; falta à verdade quando diz que houve negociação deste modelo de avaliação com os professores, quando o que houve foi uma imposição superior e em que a única alteração à proposta inicial foi a passagem da avaliação dos pais dos alunos de obrigatória para opcional, de acordo com a vontade do professor; ignora a verdade quando insiste que a avaliação está a decorrer normalmente nas escolas, quando está definitivamente suspensa na grande maioria dos estabelecimentos de ensino; falta à verdade quando invoca o interesse dos professores que querem este modelo de avaliação, quando ficou demonstrado à saciedade que a esmagadora maioria não o quer.

Em conclusão, o que fizemos no dia 8 de Novembro, foi um direito inalienável dos cidadãos em democracia, o direito à indignação e o direito de resistência à opressão. Em face do comportamento assumido pela Sra Ministra, parafraseando o imperador da literatura portuguesa, “não hei-de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois esta é a licença e liberdade de quem não pede favor, senão justiça”. A causa não é só nossa, é dos nossos filhos, alunos e do nosso país, pelo que “razão é que peça só razão, justo é que peça só justiça” (Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as da Holanda).

Lia Ribeiro

Escola Secundária do Entroncamento


publicado por rodamarante às 15:45
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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Resposta a Miguel Portas

 

"...Aquele mar de professores está obviamente mais do que farto. Suspeito que o estão por todas as pequenas razões de um quotidiano frustrante, e que por isso se podem resumir numa curta frase: ser professor assim, não dá. Quando mais de dois terços de uma classe sai à rua, é porque, apesar do desencanto, ainda transporta dentro de si a energia da dignidade. Não é preciso ser-se professor, psicólogo ou ministro para o entender. Mas existe uma professora que é ministra e que nada entende de gente, que não percebe. Continua a não perceber..."

(Miguel Portas in A avaliação de que a escola precisa mesmo, Esquerda, 9 de Novembro de 2008. Para ler o texto completo clique aqui

 

Companheiro Miguel,
Permita-me que discorde de uma frase que escreveu: "...uma professora que é ministra...". Essa pessoa pode ser ministra, mas não é Professora. Um(a) Professor(a) é alguém que gosta do que faz, que se dedica aos seus Alunos e se revê nos seus sucessos e desaires. Vive a Escola como uma segunda casa e, apesar de ter a sua Família, tem uma outra maior que é a comunidade escolar, feita de Colegas, Alunos, Funcionários, Pais e Encarregados de Educação e outras pessoas que fazem a Escola. Essa pessoa pode ter dado aulas (?), mas NUNCA FOI PROFESSORA. NÃO SABE O QUE É UMA ESCOLA.

 

NOTA: Eu tentei colocar uma imagem da dita, mas é superior a mim. Tal como já disse mais abaixo, é demasiado deprimente. Tive de a substituir por outra.


publicado por rodamarante às 20:09
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Voltámos a encher o Terreiro do Paço II

Alguns dos Profs da Secundária do Entroncamento

Fomos mais de 100 mil!!!

Para que não restem dúvidas.

(Fotos gentilmente cedidas pelo Colega João Alfaro)


publicado por rodamarante às 16:10
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