Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

"Não está à venda"

Não gosto de fazer o blog à custa dos outros. Mas não resisti a colocar aqui o texto de João Paulo Videira em "Os Dias do Fim" .

 

"o desespero do governo atingiu o seu ponto alto, de tão baixo que foi, com o senhor primeiro ministro a sacar da argumentação da maioria absoluta como querendo dizer, num assomo de autoritarismo bacoco, que nós somos mais, nós tivemos mais votos, logo fazemos o que queremos. talvez esqueça sócrates, este de agora, não o importante, que a maioria na assembleia da república não garante a qualidade governativa. pois não.

ia o seu discurso mal, pensando eu que já não piorava, e lá vem aquela ideia peregrina do temos de comprar a paz. senhor primeiro ministro, eu não sou engenheiro, não terei as qualificações ilustres de vossa excelência, sou só, na minha humildade existencial e nas palavras de um elemento da sua equipa governativa, um reles professor. mas, caro senhor, mesmo sabendo pouco, ainda sei o suficiente para dizer-lhe que a paz não está a venda. paciência. bata a outra porta.

não está à venda porque a sua venda hipotecaria bens mais valiosos que se não podem hipotecar. não pode hipotecar-se a dignidade docente. não podem hipotecar-se a aprendizagem e o crescimento dos nossos alunos. não pode hipotecar-se a qualidade da escola pública. não pode hipotecar-se o rigor. a decência. o profissionalismo. a dedicação. a formação. a honestidade. o labor.

deixe-me dizer-lhe algo de que não está à espera: mais depressa se resolve a crise financeira, mais depressa se faz um empréstimo a um banqueiro falido que teve parte dos mil milhões de lucro do primeiro semestre, mais depressa se faz um engenheiro, do que se constrói e ergue um docente. a sua dignidade. é que as primeiras são coisas urgentes. as segundas são coisas importantes. vá lá a correr hipotecar o nosso dinheiro mas não hipoteque a Educação do país. a perda seria tremenda. a missão não é possível.

sabe, é que NÓS não vamos deixar!

aqui fica um enigma para resolver: "quem somos NÓS?" talvez agora o julgue ingénuo mas algo me diz que este enigma ainda lhe vai tomar muito tempo, e, se não se apressa, ele bate-lhe à porta com estrondo. o estrondo da sua própria decadência. só então, perdido, se lembrará: "afinal NÓS eram ELES!"

jpvideira"

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publicado por rodamarante às 11:27
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